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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ABANDONADOS PELA PÁTRIA

ABANDONADOS PELA PATRIA


Faço parte do grupo de mais de um milhão de portugueses que cumpriram o serviço militar e foram recrutados para combater nas Colónias. Sou portanto, um dos mais de um milhão de boçais como um dia um político apelidou ao falar de mortos na guerra do Ultramar.



Na qualidade de fuzileiro especial da Armada; palmilhei centenas de quilómetros por picadas e matos, atravessei rios, lagoas e pântanos infestados de jacarés; carreguei feridos e mortos.


Estou Apresentado!


Terminado o serviço militar tinha a consciência de que os ex-combatentes iriam ser canalhamente abandonados pela Pátria/mãe a quem tanto devotamente haviam servido. Isto, porque também tinha a consciência que aquela guerra, ou qualquer outra, e a pretexto do que quer que seja, é sempre inútil. Não resolve nenhum problema e até os agrava a todos, trazendo unicamente sofrimento e destruição. Que os combatentes, quaisquer que eles sejam – amigos e inimigos – mais não são que peões de um jogo de xadrez viciado á partida por batoteiros de boa tempera se isso corresponder aos seus anseios de poder e governança sem remorsos sequer de se terem servido de uma geração inteira – da juventude e das vidas de toda uma geração, quando eles próprios,
Cubardes como sempre, fugiram e desertaram. Mas…Uma coisa é certa; os mordas como se diz em bom português, mereciam o seu nome escarrapachado num qualquer monumento para que se soubesse quem desertou daquela guerra e desertaria de outra qualquer.
Para mim, o monumento agora inaugurado não é mais que um libelo acusatório á política fascista seguida por Salazar, com um saldo negativo de quase de dez mil mortos. Não estive presente na hora da inauguração.
Um dia destes, solidariamente irei lá prestar homenagem aos que eu vi morrer.


Este desabafo Escrito Foi um Vários anos hum Por camarada de Armas Ferido em Combate.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009